A primeira imagem que vem à mente ao pensar no Leicester campeão da
liga mais valiosa do planeta é de uma turma de pijama e chinelo
invadindo uma festa de milionários transmitida para o mundo inteiro. Mas
de forma tão arrebatadora, tão saturada de carisma que cativa até os
seguranças.
Cláudio Ranieri, antes chacota e agora vencedor –
enquanto Mourinho, que sempre que podia tirava um sarro do italiano,
está desempregado. Jamie Vardy, o ex-operário artilheiro do time campeão
da Premier League. Mahrez, o outrora desconhecido franco-argelino
eleito o craque do campeonato. Para completar, um jamaicano vai levantar
a taça: Wes Morgan, capitão e autor do último gol antes da confirmação
da conquista.
Mais alternativo impossível. Difícil algo tão
improvável, Justifica cada lágrima de emoção de quem ainda é capaz de se
comover com esse esporte. História única, pelo contexto. Digna de virar
livro, filme. Simplesmente por ser tão humana.
Nem ataque mais
positivo, nem defesa menos vazada. Sem a bola para chamar de sua, também
não é o time que mais finaliza. Líder, apenas na tabela. Vardy perdeu a
artilharia para Harry Kane. Tantas vitórias que só não se transformaram
em reveses pelas defesas de Schmeichel, o filho de um dos melhores
goleiros de todos os tempos que nunca havia feito nada de maior destaque
na carreira. Uma conquista com a lida de cada vitória.
O
Leicester não será modelo. Certamente nem tem essa pretensão, por ser
uma saga sem traços de perfeição. Mas com suor e fé, como o cotidiano de
quem acredita na vida. Na confiança cega que fábulas podem ser reais. O
conto de fadas que embalou um sonho que não se fez possível no Teatro
do Manchester United, maior vencedor da Liga.
Talvez o título
tenha se concretizado sem os heróis de Ranieri em campo para que todos
pudessem comemorar leves e soltos, como os “largados” na festa de gala.
Protagonistas, mas gente como a gente. Agora eternos.
A partir de
hoje fica decretado que não existe mais impossível no futebol ou em
qualquer cenário. Sempre que alguém pensar “não dá”, o Leicester será o
último sopro. Ou a primeira inspiração para o milagre que é viver.
Fonte: http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/
